Terapia Hormonal na Menopausa: o que é, como funciona e quando indicar
Entenda o que é a terapia hormonal na menopausa, como funciona, quem pode fazer, riscos, benefícios e quando conversar com um ginecologista.
Resposta rápida: A terapia hormonal na menopausa (TH) é o tratamento que repõe estrogênio — com ou sem progesterona — para aliviar sintomas como ondas de calor, ressecamento vaginal e alterações de humor. É considerada a abordagem mais eficaz para os sintomas climatéricos moderados a intensos e deve ser indicada e acompanhada por um ginecologista, pois os benefícios e riscos variam de acordo com o perfil de cada mulher.
Publicado em 24/08/2026 · Blog oficial da Modest Med

Os sintomas da menopausa podem chegar de mansinho ou de forma avassaladora — ondas de calor que interrompem reuniões, noites mal dormidas, ressecamento vaginal que afeta a intimidade e um humor que parece não ser mais seu. Para muitas mulheres, essa fase representa uma queda real na qualidade de vida, e a pergunta inevitável surge: "Existe tratamento para isso?"
A resposta é sim, e a terapia hormonal na menopausa (TH) é a opção com maior evidência científica para aliviar esses sintomas. Mas ela também carrega dúvidas, medos e mitos — especialmente depois de estudos controversos nos anos 2000 que assustaram médicos e pacientes. Hoje, com dados mais robustos e diretrizes atualizadas, o cenário é mais claro: a TH é segura e eficaz para a maioria das mulheres saudáveis que a iniciam no momento certo, sob orientação médica adequada.
O que é
A terapia hormonal na menopausa — também chamada de terapia de reposição hormonal (TRH) ou simplesmente reposição hormonal — é o tratamento que fornece ao organismo os hormônios que os ovários deixaram de produzir em quantidade suficiente: principalmente o estrogênio e, quando necessário, a progesterona (ou progestagênios sintéticos).
Existem dois grandes esquemas:
- Estrogênio isolado: indicado para mulheres que fizeram histerectomia (remoção do útero), pois não há risco de hiperplasia endometrial.
- Estrogênio + progestagênio: para mulheres com útero, a progesterona é adicionada para proteger o endométrio (revestimento interno do útero) do estímulo excessivo do estrogênio.
As formulações variam bastante em via de administração:
- Oral (comprimidos) — prática, mas passa pelo fígado antes de entrar na circulação.
- Transdérmica (adesivos, géis, spray) — absorção direta pela pele, sem "primeira passagem hepática", o que reduz o risco de trombose em comparação à via oral.
- Vaginal (creme, anel, óvulo) — age localmente, ideal para sintomas genitourinários isolados, com absorção sistêmica mínima.
- Subcutânea (implantes) — liberação contínua; menos usada no Brasil.
A escolha da formulação, dose e via é individualizada e deve ser feita por um ginecologista especializado em climatério, levando em conta o histórico de saúde, sintomas, preferências e fatores de risco de cada mulher.
Tratamentos
Para quais sintomas a terapia hormonal é indicada?
A TH é considerada o tratamento de primeira linha para:
- Fogachos e ondas de calor (sintomas vasomotores) — reduz a frequência e a intensidade em até 80–90% dos casos.
- Suores noturnos que fragmentam o sono.
- Ressecamento vaginal, ardência e dor na relação sexual (síndrome genitourinária da menopausa).
- Insônia relacionada aos fogachos.
- Oscilações de humor e irritabilidade ligadas à queda hormonal.
- Prevenção da osteoporose — o estrogênio freia a perda de massa óssea acelerada que ocorre nos primeiros anos após a menopausa.
Para sintomas genitourinários isolados (ressecamento vaginal, desconforto urinário), a TH local vaginal é frequentemente suficiente e apresenta risco sistêmico mínimo — uma opção segura mesmo para mulheres com algumas contraindicações à TH sistêmica.
O que a terapia hormonal NÃO faz
É importante ter expectativas realistas. A TH não é antienvelhecimento, não previne doenças cardiovasculares em mulheres com mais de 60 anos (nesse grupo, o risco pode até aumentar) e não substitui hábitos saudáveis. Ela trata sintomas e previne consequências da deficiência estrogênica — e faz isso muito bem quando bem indicada.
Benefícios além dos sintomas
Além do alívio imediato, a TH iniciada na "janela de oportunidade terapêutica" (antes dos 60 anos ou dentro de 10 anos após a última menstruação) está associada a:
- Redução do risco de osteoporose e fraturas — especialmente de quadril e coluna.
- Possível proteção cardiovascular quando iniciada precocemente (hipótese da janela).
- Melhora da função cognitiva e do humor em algumas mulheres.
- Melhora da qualidade de vida sexual e geral.
Riscos e contraindicações: o que a ciência diz hoje
O medo em torno da TH nasceu principalmente do estudo WHI (Women's Health Initiative), publicado em 2002, que apontou aumento de risco de câncer de mama e doenças cardiovasculares. Revisões posteriores mostraram que os resultados foram superestimados e aplicados a um perfil de mulheres mais velhas, com comorbidades, usando esquemas específicos.
O panorama atual, segundo a FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e The Menopause Society, é:
- Tromboembolismo venoso (TEV): risco aumentado com estrogênio oral; a via transdérmica apresenta risco neutro ou muito baixo.
- Câncer de mama: o risco associado ao uso combinado (estrogênio + progestagênio sintético) é pequeno e comparável ao de outros fatores como sedentarismo e consumo de álcool; o estrogênio isolado não aumenta o risco de forma significativa.
- AVC: risco levemente aumentado com estrogênio oral em doses altas; mínimo com via transdérmica.
Contraindicações absolutas à TH sistêmica:
- Câncer de mama ativo ou suspeito
- Câncer endometrial ativo
- Tromboembolismo venoso recente não tratado
- Doença hepática grave
- Sangramento vaginal não investigado
- Doença coronariana grave
Quanto tempo usar?
Não há um prazo fixo. As diretrizes atuais recomendam usar pelo tempo necessário para controlar os sintomas, com reavaliação anual. Muitas mulheres usam por 3 a 5 anos; algumas, com sintomas persistentes e boa tolerância, podem continuar por mais tempo — sempre com acompanhamento regular.
A suspensão deve ser gradual (redução de dose) para evitar o retorno abrupto dos sintomas.
Alternativas à terapia hormonal
Quando a TH é contraindicada ou a mulher prefere não usá-la, existem opções não hormonais com evidência:
- Inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) e IRSN (antidepressivos que também reduzem fogachos) — como a paroxetina, aprovada especificamente para essa indicação.
- Gabapentina — anticonvulsivante com efeito sobre fogachos.
- Fezolinetant — antagonista de receptor de neurocinina, aprovado em alguns países para sintomas vasomotores sem hormônios.
- Fitoestrogênios (isoflavonas de soja) — evidência modesta; podem ajudar em casos leves.
- Mudanças de estilo de vida: atividade física regular, evitar gatilhos dos fogachos (álcool, cafeína, calor), técnicas de relaxamento e psicoterapia para lidar com as mudanças emocionais da fase.
Converse com seu médico sobre qual caminho faz mais sentido para o seu caso. Na Modest Med, você pode encontrar ginecologistas especializados em saúde da mulher no climatério para uma avaliação personalizada.
Quando procurar ajuda
Procure um ginecologista se:
- Os fogachos ou suores noturnos estão prejudicando seu sono ou sua rotina diária.
- Você sente ressecamento vaginal, dor na relação sexual ou sintomas urinários frequentes.
- Oscilações de humor, ansiedade ou tristeza estão afetando sua qualidade de vida após a menopausa.
- Você tem dúvidas sobre iniciar, manter ou suspender a terapia hormonal.
- Apresenta sangramento vaginal inesperado durante o uso da TH — isso exige avaliação imediata.
Atenção: dor intensa na panturrilha, falta de ar súbita ou dor no peito durante o uso de qualquer hormônio são sinais de possível trombose ou embolia — procure um pronto-socorro imediatamente ou ligue para o SAMU (192).
> Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Cada caso é único e merece atenção individualizada.
Perguntas frequentes
A terapia hormonal causa câncer de mama?
O risco é pequeno e depende do tipo de TH. O uso combinado de estrogênio com progestagênio sintético por mais de 5 anos está associado a um aumento modesto do risco — comparável ao de beber uma taça de vinho por dia ou ser sedentária. O estrogênio isolado (para mulheres sem útero) não aumenta significativamente o risco. Converse com seu ginecologista sobre o seu perfil individual.
Com que idade posso começar a terapia hormonal?
A TH pode ser iniciada assim que os sintomas da menopausa aparecem e impactam a qualidade de vida, desde que não haja contraindicações. A 'janela de oportunidade terapêutica' recomendada é antes dos 60 anos ou dentro de 10 anos após a última menstruação — período em que os benefícios superam os riscos para a maioria das mulheres saudáveis.
Qual a diferença entre TH oral e transdérmica?
A via oral (comprimido) passa pelo fígado antes de entrar na circulação, o que pode aumentar o risco de trombose e alterar fatores de coagulação. A via transdérmica (gel, adesivo) é absorvida diretamente pela pele, evitando esse efeito e apresentando risco de trombose muito menor — sendo preferida em mulheres com fatores de risco cardiovascular.
Posso fazer terapia hormonal se tiver histórico de trombose?
Tromboembolismo venoso recente é uma contraindicação à TH sistêmica oral. No entanto, a via transdérmica em baixas doses pode ser considerada em alguns casos, com avaliação cuidadosa do risco. Sempre informe seu médico sobre qualquer histórico de trombose antes de iniciar o tratamento.
A terapia hormonal engorda?
O ganho de peso na menopausa está relacionado principalmente às mudanças metabólicas e hormonais naturais da fase, não diretamente à TH. Alguns estudos sugerem que a reposição hormonal pode até ajudar a redistribuir a gordura corporal de forma mais favorável. Dieta equilibrada e atividade física continuam sendo essenciais.
Por quanto tempo posso usar a terapia hormonal?
Não existe um limite fixo. A recomendação atual é usar pelo tempo necessário para controlar os sintomas, com reavaliação anual. Muitas mulheres usam de 3 a 5 anos; outras, com sintomas persistentes e boa tolerância, podem continuar com acompanhamento médico regular. A decisão é sempre individualizada.
Existe terapia hormonal para quem não quer usar hormônios sintéticos?
Sim. Existem formulações com hormônios bioidênticos (estrutura química idêntica aos hormônios humanos), como o estradiol e a progesterona micronizada, que são opções dentro da TH convencional. Para quem prefere evitar qualquer hormônio, há alternativas não hormonais com evidência científica, como ISRS, IRSN e mudanças de estilo de vida.
Referências
- FEBRASGO — Consenso Brasileiro de Terapêutica Hormonal da Menopausa
- The Menopause Society (NAMS) — The 2023 Menopause Society Position Statement on Hormone Therapy
- Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas — Menopausa
- PubMed / NCBI — Hormone therapy for menopausal symptoms: risks and benefits — revisões sistemáticas
Revisão editorial Modest Med
Conteúdo elaborado pela equipe editorial da Modest Med com base em fontes oficiais de saúde. Última revisão em 24/08/2026. Este conteúdo é informativo e educativo e não substitui o diagnóstico, o tratamento ou o acompanhamento de um profissional de saúde. Como produzimos nosso conteúdo.
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