Otite em crianças: o que é, sintomas e como tratar

Otite média é a infecção de ouvido mais comum na infância. Saiba reconhecer os sintomas, entender as causas e quando levar ao médico.

Resposta rápida: A otite média é uma infecção no ouvido médio muito frequente em bebês e crianças pequenas, causada geralmente por bactérias ou vírus que chegam ao ouvido após um resfriado. Os sintomas mais comuns são dor de ouvido, febre e irritabilidade. O tratamento depende da gravidade e da idade da criança, e sempre deve ser orientado por um pediatra ou otorrinolaringologista.

Publicado em 23/08/2026 · Blog oficial da Modest Med

Médico examinando o ouvido de uma criança pequena com otoscópio durante consulta pediátrica
Médico examinando o ouvido de uma criança pequena com otoscópio durante consulta pediátrica

Seu filho acorda no meio da noite chorando, puxando o ouvido e com febre — uma cena que muitos pais conhecem bem. A otite média, popularmente chamada de "infecção de ouvido", é a doença infecciosa que mais leva crianças ao consultório médico no mundo todo. Estima-se que a maioria das crianças terá ao menos um episódio antes dos três anos de idade.

Apesar de ser tão comum, a otite gera muitas dúvidas: é sempre necessário antibiótico? Pode afetar a audição? Quando vira cirurgia? Neste artigo você encontra respostas claras e baseadas em evidências para entender, reconhecer e saber como agir diante dessa condição tão presente na infância.

O que é

A otite média aguda (OMA) é uma inflamação e infecção do ouvido médio — o espaço localizado atrás do tímpano. Ela é diferente da otite externa (infecção do canal auditivo externo, o "ouvido de nadador") e da otite média com efusão (acúmulo de líquido no ouvido médio sem sinais de infecção aguda, também chamada de "ouvido colado").

O motivo pelo qual crianças pequenas são tão vulneráveis está na anatomia: a tuba auditiva (canal que conecta o ouvido médio à parte de trás da garganta) é mais curta, mais horizontal e mais flácida nos bebês e nas crianças do que nos adultos. Isso facilita a passagem de vírus e bactérias da garganta para o ouvido médio, especialmente após um resfriado ou gripe.

A otite média pode ser classificada em:

  • Otite média aguda (OMA): início súbito de sinais de infecção — a forma mais comum e o foco deste artigo.
  • Otite média com efusão (OME): líquido no ouvido médio sem infecção ativa; pode afetar a audição temporariamente.
  • Otite média crônica supurativa: secreção persistente pelo ouvido por mais de 2 a 6 semanas, geralmente com perfuração do tímpano.

Sintomas

Os sinais variam conforme a idade da criança:

Em bebês e crianças pequenas (que ainda não falam):

  • Choro intenso e irritabilidade incomum, especialmente à noite
  • Puxar ou esfregar o ouvido repetidamente
  • Febre (nem sempre presente)
  • Dificuldade para dormir
  • Recusa ao aleitamento (a sucção aumenta a pressão no ouvido e piora a dor)
  • Saída de líquido ou secreção pelo ouvido (indica que o tímpano furou — alivia a dor, mas precisa de avaliação médica)

Em crianças maiores:

  • Dor de ouvido (otalgia) — o sintoma mais relatado
  • Sensação de ouvido "tapado" ou pressão
  • Diminuição temporária da audição
  • Febre
  • Dor de cabeça

> Sinal de alerta: se a criança apresentar febre acima de 39 °C, dor intensa que não melhora com analgésico, rigidez de nuca, inchaço atrás do ouvido (mastoidite) ou qualquer alteração neurológica, leve-a imediatamente ao pronto-socorro.

Causas

A otite média quase sempre surge como complicação de uma infecção respiratória alta — o famoso resfriado. Os vírus inflamam a mucosa da tuba auditiva, dificultam sua drenagem e abrem caminho para bactérias.

Principais agentes causadores:

  • Vírus: rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR), influenza — frequentemente o gatilho inicial
  • Bactérias: Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae não tipável e Moraxella catarrhalis são as mais comuns

Fatores de risco que aumentam a chance de otite:

  • Idade entre 6 meses e 2 anos (período de maior vulnerabilidade anatômica e imunológica)
  • Frequentar creche ou escola (maior exposição a vírus)
  • Exposição à fumaça de cigarro (prejudica o funcionamento da tuba auditiva)
  • Uso de chupeta, especialmente após os 6 meses
  • Amamentação artificial (o aleitamento materno é fator protetor)
  • Histórico familiar de otite de repetição
  • Alterações anatômicas como fenda palatina

Diagnóstico

O diagnóstico da otite média é clínico, feito pelo médico durante a consulta. O principal instrumento é o otoscópio — um aparelho com luz e lente que permite visualizar o canal auditivo e o tímpano.

O médico avalia:

  • Aspecto do tímpano: vermelho, abaulado (empurrado para fora pelo líquido) e com mobilidade reduzida são os achados clássicos da OMA
  • Presença de secreção no canal auditivo (indica perfuração do tímpano)
  • Sintomas e tempo de evolução

Exames complementares raramente são necessários na otite aguda típica. Em casos de otite recorrente ou crônica, o otorrinolaringologista pode solicitar:

  • Audiometria: avalia se há perda auditiva associada
  • Timpanometria: mede a mobilidade do tímpano e detecta líquido no ouvido médio
  • Cultura de secreção: identifica o agente causador em casos complicados

Não existe exame de sangue ou de imagem que confirme a otite média aguda — a otoscopia bem feita é suficiente na grande maioria dos casos.

Pediatra realizando otoscopia em criança durante consulta médica

Tratamentos

O tratamento depende da idade da criança, da gravidade dos sintomas e da presença de fatores de risco. Sempre siga a orientação do pediatra ou otorrinolaringologista — nunca administre medicamentos por conta própria.

Alívio da dor (sempre indicado)

Independentemente de usar ou não antibiótico, o controle da dor é prioridade:

  • Analgésicos e antitérmicos como paracetamol ou ibuprofeno (em doses e intervalos prescritos pelo médico)
  • Compressa morna no ouvido pode ajudar a aliviar o desconforto

Observação sem antibiótico ("watchful waiting")

Para crianças acima de 2 anos com sintomas leves a moderados e sem fatores de risco, as diretrizes internacionais (Academia Americana de Pediatria) e a prática pediátrica atual permitem uma janela de observação de 48 a 72 horas antes de iniciar antibiótico. Muitos casos resolvem espontaneamente.

Antibióticos

São indicados quando:

  • A criança tem menos de 2 anos
  • Os sintomas são graves (febre alta, dor intensa)
  • otorreia (saída de secreção pelo ouvido)
  • Não há melhora após o período de observação
  • A criança tem condições de risco (imunodeficiência, fenda palatina, etc.)

A escolha do antibiótico, a dose e a duração são definidas pelo médico. Nunca interrompa o antibiótico antes do prazo indicado, mesmo que a criança melhore rapidamente.

Otite recorrente: quando entra a cirurgia?

Crianças com três ou mais episódios em seis meses (ou quatro em um ano) podem se beneficiar da miringotomia com inserção de tubo de timpanostomia (popularmente chamado de "tubo de ventilação" ou "tubo de pressão equalizada"). O procedimento é feito pelo otorrinolaringologista, geralmente sob anestesia geral breve, e permite a drenagem do líquido e a ventilação do ouvido médio.

Na Modest Med, você pode encontrar pediatras e otorrinolaringologistas para avaliar o seu filho e indicar o melhor caminho.

Quando procurar ajuda

Leve a criança ao médico sempre que suspeitar de otite — especialmente em bebês, que não conseguem dizer onde dói. Procure atendimento no mesmo dia se:

  • A criança tem menos de 6 meses com qualquer sinal de infecção de ouvido
  • febre acima de 39 °C que não cede com antitérmico
  • A criança está muito irritada, inconsolável ou com dor intensa
  • saída de líquido ou pus pelo ouvido
  • Os sintomas pioram após 48 horas de tratamento

Vá ao pronto-socorro imediatamente se observar:

  • Inchaço, vermelhidão ou dor intensa atrás do ouvido (possível mastoidite)
  • Desvio da boca ou fraqueza no rosto (paralisia facial)
  • Rigidez de nuca, vômitos intensos ou alteração do nível de consciência (sinais de meningite)
  • Tontura intensa ou perda súbita de audição

Se a otite se repete com frequência, converse com um pediatra de confiança sobre encaminhamento ao otorrinolaringologista. O acompanhamento regular evita complicações e protege a audição e o desenvolvimento da linguagem do seu filho.

Perguntas frequentes

Otite em criança passa sozinha ou sempre precisa de antibiótico?

Nem sempre precisa de antibiótico. Em crianças acima de 2 anos com sintomas leves, muitos casos resolvem espontaneamente em 48 a 72 horas com apenas analgésico. O médico avalia a gravidade, a idade e os fatores de risco antes de decidir. Nunca use antibiótico sem prescrição.

O tímpano furado é grave? Vai cicatrizar?

A perfuração do tímpano pela otite (otorreia) geralmente não é grave — ela alivia a pressão e a dor. Na maioria dos casos, o tímpano cicatriza sozinho em dias a semanas. Mesmo assim, é importante consultar o médico para acompanhar a cura e garantir que não haja infecção persistente.

Otite pode causar surdez permanente?

A perda auditiva temporária é comum durante a otite, mas raramente se torna permanente. O risco aumenta em casos de otite crônica não tratada ou de episódios muito frequentes. Por isso, crianças com otite de repetição devem ser avaliadas com audiometria e acompanhadas por otorrinolaringologista.

Posso usar gotinhas de ouvido para aliviar a dor?

Gotas anestésicas tópicas para ouvido só devem ser usadas se o médico confirmar que o tímpano está íntegro — se houver perfuração, essas gotas podem ser prejudiciais. O analgésico oral (paracetamol ou ibuprofeno) é a forma mais segura de aliviar a dor sem risco.

Meu filho tem otite toda vez que resfria. O que fazer?

Otite recorrente (3 ou mais episódios em 6 meses) merece avaliação especializada. O pediatra pode encaminhar ao otorrinolaringologista, que avaliará a necessidade de tubo de ventilação, remoção de adenoides ou outras medidas. Evitar fumaça de cigarro, limitar o uso de chupeta e manter as vacinas em dia também ajudam a reduzir os episódios.

A vacina pode prevenir a otite?

Sim. A vacina pneumocócica (que já faz parte do calendário do SUS) reduz significativamente os casos de otite causados pelo Streptococcus pneumoniae. A vacina contra a gripe (influenza) também ajuda, pois a gripe é um dos principais gatilhos da otite.

Posso amamentar durante a otite do bebê?

Sim, e é muito recomendado. O leite materno tem anticorpos que ajudam na recuperação. Atenção apenas à posição: amamentar com o bebê mais inclinado (não totalmente deitado) reduz o refluxo de leite para a tuba auditiva, que pode piorar a infecção.

Referências

  • Academia Americana de Pediatria (AAP) — Clinical Practice Guideline: Diagnosis and Management of Acute Otitis Media
  • Ministério da Saúde do BrasilCalendário Nacional de Vacinação da Criança
  • Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) — Otite Média Aguda — Guia Prático de Atualização
A otite média aguda é a infecção bacteriana ou viral do ouvido médio, sendo a condição que mais leva crianças ao pediatra no Brasil e no mundo. Ocorre porque a tuba auditiva (canal que conecta ouvido e garganta) é mais curta e horizontal em crianças, facilitando a migração de micro-organismos. Os sintomas incluem otalgia (dor de ouvido), febre, irritabilidade, choro excessivo e, por vezes, saída de secreção pelo ouvido. O diagnóstico é clínico, feito por otoscopia. O tratamento pode ser expectante (observação) ou com antibióticos, conforme idade, gravidade e critérios clínicos; analgesia é sempre indicada. Episódios recorrentes podem exigir miringotomia com inserção de tubo de ventilação (tubo de timpanostomia).

Revisão editorial Modest Med

Conteúdo elaborado pela equipe editorial da Modest Med com base em fontes oficiais de saúde. Última revisão em 23/08/2026. Este conteúdo é informativo e educativo e não substitui o diagnóstico, o tratamento ou o acompanhamento de um profissional de saúde. Como produzimos nosso conteúdo.

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